Dilma foi 'beneficiária política' de esquema na Petrobras, diz Aécio


Folha.com


O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) afirmou nesta segunda-feira (8) que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou politicamente do esquema de corrupção em investigação na Petrobras.

"Não acredito que a presidente da República tenha recebido recursos desse esquema. Mas, do ponto de vista político, ela foi beneficiária, sim. E tinha a obrigação de saber aquilo que acontece no seu entorno", disse o tucano, que faz campanha em Belém (PA).

A investigação sobre desvios de recursos na Petrobras ganhou nova dimensão nos últimos dias após a revelação de pontos do depoimento do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, que está preso desde junho e fechou acordo de delação premiada (quando o réu oferece informações em troca de benefícios na acusação) com o Ministério Público Federal.

Segundo reportagem da "Veja" desta semana, Costa teria citado, como envolvidos no esquema, nomes de petistas como João Vaccari Neto, tesoureiro da sigla, e Candido Vaccarezza (PT-SP), deputado federal, além do ministro Edison Lobão (Minas e Energia, PMDB) e aliados do governo como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Aécio afirmou que as novas denúncias mostram que "esse governo acabou", "Esse governo acabou antes da hora. A presidente da República já demite por antecipação o seu ministro da Fazenda, e, no caso do PT, denúncias. É só uma questão de tempo", disse, em referência à afirmação de Dilma sobre a mudança na equipe da Fazenda em um eventual segundo mandato.

O tucano também manteve as críticas à rival Marina Silva (PSB), a quem atribuiu uma estratégia de "vitimização" na campanha. Embora tenha evitado criticar a campanha adversária pelo fato de o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE) ter sido citado, segundo a "Veja", na delação de Costa.

"Em relação à candidata Marina, vejo uma tentativa permanente de vitimização. Eu não faço nenhuma acusação desse gênero [corrupção] à candidata Marina e vou até além. Em relação às acusações sobre o ex-governador Eduardo Campos, conheci Eduardo durante 30 anos. Isso não combina com ele. Eduardo era um homem de bem. Eu faço toda essa ressalva. Agora, esse discurso da candidata Marina que é vítima dos ataques do PT e do PSDB é um discurso muito defensivo", afirmou.

60 MIL POLICIAIS

O tucano passou nesta segunda por Marabá e por Belém, onde faz campanha com o governador tucano Simão Jatene, que tenta a reeleição. Afirmou que o governo federal governa "de costas" para as regiões Norte e Nordeste.

Sobre propostas para o Pará e a Amazônia, Aécio citou "compromisso com uma política nacional de segurança". Defendeu uma reforma do Código Penal "para que acabe com essa sensação de impunidade", o fim do "represamento de recursos" do setor no Congresso e parceria com Estados.

O candidato disse ser possível, se o governo federal subsidiar servidores administrativos das políticas, colocar "mais de 60 mil policiais formados nas ruas" em dois meses. "Nós temos condições, em 60 dias, de colocar mais de 60 mil homens policiais formados nas ruas, se o governo federal subsidiar os funcionários administrativos. Portanto, os policiais que fazem hoje serviço administrativo podem ser liberados para ir imediatamente às ruas", afirmou.

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